sexta-feira, 21 de novembro de 2008

... transformada em saudade ...

Saudades daquele ambiente tranquilo, no qual sentia-me protegido tal como um índigena se sente quando inserido na sua comunidade, maternalmente ligado a algo intimamente relacionado com as origens, a pureza, o intocável.
Olho para as flores brancas que trago nas minhas mãos, símbolo da virgindade primitiva, ainda, ao contrário da minha reles pessoa, não violentadas pela selvajaria da barbárie humana. Sim, confesso que por uns míseros e parcos 13 contos de reis deixei-me corromper pela civilização ! Esperava encontrar neles uma certa segurança que, agora sei, impossível de atingir.
Olho novamente para as flores e vislumbro nelas um refúgio secreto, seguro, reflexo de mim próprio nos bucólicos tempos da minha infância. Incapaz de tolerar mais tal sofrimento, acabo de beber o meu copo de água e, à saída, desfaço-me bruscamente delas.
Não quero mais recordar-me do que fui para assim não ter que me lembrar daquilo que agora sou !

Paula Alexandra Silva in "Desenlaces"

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