quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

sábado, 20 de dezembro de 2008

Caixa de música

Objecto saudosista.
Eco na minha memória daquilo que é artisticamente belo, pueril, inocente.
Provoca em mim sentimentos opostos, contraditórios, capazes de produzirem em simultâneo alegria e tristeza, resignação e saudade, lágrima e sorriso !

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Carta para a minha irmã ...


Olá querida irmã !

Espero que esteja tudo bem contigo e com a Mãe ! Ela está melhor ? Que pergunta a minha ! Como se isso ainda fosse possível, se é que alguma vez foi, não é Ana ?
Ontem cheguei aqui tarde da noite ... tinha planeado vir mais cedo, mas como já deves saber, eu e o Vicente tivemos mais uma daquelas discussões.
Precisei de acalmar-me e reflectir um pouco antes de encetar esta pequena viagem !
E que bem me fez voltar a percorrer vagarosamente estas estradas circundadas por suas belas e místicas paisagens !
Entrei nesta vila que me é tão querida e acreditas que senti-me logo transportada para todo o encanto de um mundo mágico e surreal há tanto tempo perdido ?
Pois é, recordei-me também das vezes de quando éramos crianças e vínhamos para aqui passar as nossas férias de verão com a mãe e o pai ... na altura da inocência, da brincadeira, da coerência connosco próprios ... na altura em que ainda conhecíamos o sentido da palavra felicidade !
Nem sabes o quanto me senti protegida mal aqui cheguei ... todas estas árvores com seus grandes ramos que rodeiam as estradas como que se metamorfosearam em seres mágicos com longos e acolhedores braços que me envolveram e me acarinharam ternamente e fizeram-me, ainda que momentaneamente, esquecer, esquecer, esquecer ...
Hoje de manhã desci a pé até ao centro histórico, passei pela Periquita e regalei-me com um estaladiço travesseiro !
Que saudades, Ana, que saudades !
Quando passeava pelas ruas encontrei o Sr Casimiro ! Lembras-te dele e das pequenas diabruras que lhe fazíamos ?
Pois é, já está reformado e dedica-se agora a uma pequena oficina de artes decorativas.
Assim, disse-me ele, ocupa a cabeça, a alma e o coração, não pensando tanto nas saudades que tem da sua falecida esposa, a Dona Augusta.
Coitada, morreu de cancro no ano passado !
Continuei a minha caminhada, e animada por um novo fôlego há muito desconhecido em mim, fiz uma bela subida até ao Castelo.
Senti-me uma outra pessoa ! Respirando, absorvendo e deliciando-me com toda a pureza deste ar.
Prossegui caminho e dirigi-me para o Palácio ! Entrei para uma visita e vagueei, recordei, sonhei !
Como que entrei numa máquina do tempo e regressei à época medieval ... o meu corpo em pleno Séc XXI e a minha alma transportada para uma vivência que me é tão estranha e dolorosamente familiar !
Fui até à varanda e extasiada perante tamanha beleza, senti uma dor profunda que me despertou para a irreversível inacessibilidade de tudo o que é Belo !
Senti-me de tal forma angustiada, que perante tal verdade, tudo o resto me pareceu insignificante ... o Vicente, a dualidade, o livro inacabado, ...
Perdoa-me Ana, mas senti a necessidade de escrever-te estas linhas.


Dá um grande beijinho meu à Mãe !
Paula



domingo, 7 de dezembro de 2008

Quando for grande não quero ser ...

Quando for grande não quero ser ... um indivíduo alucinado, alienado pela sociedade humana.
Não quero ter que obedecer a regras que contrariem a natureza das minhas próprias regras, ideias, ideais ou preceitos.
Quero viver em consonância com a inocência da natureza humana em toda a sua plenitude e incoerência.
Não desejo para mim própria amarras que condicionem a liberdade da minha existência e me façam sentir como um pássaro enjaulado numa gaiola dourada, dourada sim, mas ainda assim gaiola.
Não quero nada que corrompa tudo o que faz sentido para a minha pessoa, para a minha alma, para a minha essência.
Para aquilo que não quero não sei encontrar palavras, mas sei aquelas que me vêm logo à cabeça como desejáveis e que são LIBERDADE e SENSIBILIDADE !

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Pego nesta matéria e dou-lhe a forma ...

Pego nesta matéria e dou-lhe a forma ... da sua própria forma sem forma.
Matéria-prima, bruta, amarela. Amarela da cor do sol. Sol. Energia, alegria, mas ao mesmo tempo tão fria.
E é à medida que vai tomando contacto com as minhas mãos, as mãos da civilização, que abandona a sua frieza característica e entrega-se de livre vontade à minha vontade, ao meu desejo, ao meu querer.
Em vão tento e tento moldá-la em qualquer coisa que funcione como um resgate do meu sofrimento, mas sofro ainda mais ! Moldar o quê no quê ? pergunto a mim própria, se nem eu sei aquilo que de momento quero ou até mesmo quem sou !
Pois então, assim deixo-a entregue, não sem alguma inveja, ao seu próprio destino de simples, livre e despreocupada plasticina.