sábado, 14 de fevereiro de 2009

Ausência de Ti

Poema Abecedário ... neste poema comecei cada verso com uma letra do abecedário, segundo a ordem do mesmo. Por agora, esqueci as letras novas !

Ainda te sinto
Basta lembrar-me de ti
Cada segundo de mim
Desespera com a tua ausência.

Esqueço-me de te esquecer
Fujo de ti, para não me perder
Grito por não te ter
Hoje, amanhã e talvez nunca.

Imagino-me nos teus braços
Já nem quero despertar deste sonho
Longe de tudo e de todos
Mantemo-nos nas nossas essências
Na ilusão de iludirmo-nos.

Oculta-me a quem entregas o corpo, mas não a alma
Provoca-me, abandona-me ... mas nunca deixes de regressar.

Quebra a saudade
Rasga a incerteza
Sucumbe ao primitivo
Toca-me com subtileza
Uma única vez, uma única noite.
Volatiliza-te no meu infinito
Xauter do deserto da minha vida
Zelador da minha dor sem ti.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Alma do Café

Há um intrigante e delicioso cheiro a café no ar. De onde vem ? E qual a misteriosa história que esse odor encerra em si ?

A chuva irrompia furiosamente pela neblina, que, tímida e assustada, desaparecia sorrateiramente deixando desnudadas as belas ruas e estradas. Nestas, desabrochavam os leitores incautos que com passos miúdos mas céleres dirigiam-se apressadamente para a livraria, tendo apenas como companheiros os livros e os inseparáveis moleskines recheados de apontamentos.
Eram já quase 21h00 e esperava-os mais uma animada tertúlia literária que prolongar-se-ia noite adentro.
Chegaram à Memórias do Livro e, apesar de ser já uma situação corriqueira, nunca deixavam de ficar surpreendidos com aquele intrigante e delicioso cheiro a café no ar. A sua proveniência era um verdadeiro enigma que nem os proprietários conseguiam decifrar, até que, quando já os tertulianos preparavam-se para dar por terminada mais uma agradável sessão foram intempestivamente interrompidos pela súbita chegada de Afonso, um reputado investigador social.
De respiração ofegante e agitando nas mãos um velho manuscrito, mal conseguia falar, de tal forma o seu estado de excitação interior.
Acalmou-se após ter bebericado uma chávena de chá de limão, o seu chá predilecto, e comido uns deliciosos scones barrados com geleia.
Perante uma plateia expectante, explicou então que tinha resolvido o mistério.
Intrigado com a origem enigmática daquele odor, procedeu a várias investigações e descobriu que em tempos longínquos aquele estabelecimento havia sido um mosteiro. Os monges que nele viviam bebiam regularmente infusões de café para assim conseguirem manter-se acordados durante as rezas e os longos períodos de meditação.
Esse cheiro impregnou-se então naquelas paredes, conquistou a identidade dos seus tectos, roubou o coração daquela casa e tornou-se a sua alma. Sim, porque independentemente das dimensões, uma casa tem alma ligada a tudo o que nela se passa. E esta possui a ALMA DO CAFÉ !