segunda-feira, 18 de maio de 2009

Onde mora a felicidade

Estado de alma que habita num local longínquo e inacessível a todos aqueles que facilmente escorregam nos seixos pontiagudos do rio da vida.
Deambula ao ritmo do vento transformando paisagens humanas como se fossem quadros em constante movimento.
Pinta com longas e largas pinceladas as dunas dos nossos desertos, tece os fios dos nossos destinos, navega sem rumo ao sabor da corrente dos mares de Requiem.
Todos os seus momentos não têm onde, como ou porquê. Apenas existem e perduram ao longo dos tempos no seu estado nómada de bela bailarina do acaso, que move-se ao som melódico do imprevisível.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Saudade

Imagine que tem um jardim - o que plantaria nele ? Use a terceira pessoa do singular !

Zéfiro e Nótus avistaram-na ao longe. De redemoinho em redemoinho, competiam alegremente entre si para ver quem chegava primeiro junto dela e brincava com os seus longos cabelos de sol.
Nótus, vento do sul, quente mas rebelde. Zéfiro, vento do oeste, suave e agradável. Suave e agradável como ela.
Ela, que com os seus olhos da cor de trovão de céu sobre a montanha, olhou por entre as nuvens e vislumbrou os seus amigos.
No silêncio que antecedeu o encantamento daqueles instantes, deambulava melifluamente pelo jardim. Pequenas gotas de orvalho deslizavam pela face, tentando abraçar o rosto guardado dentro da sua memória.
Nótus e Zéfiro não conseguiam deixar de olhar para ela e para a pequena caixa que os seus dedos finos e claros tão docemente acariciavam.
Acariciavam e recordavam as mãos dele, a sua pele, os seus lábios, o seu olhar. Aquele olhar que lembrava-lhe ainda mais os seus cabelos, o seu rosto que exprimia línguas de mares impossíveis, o seu corpo que incendiava o mundo dela.
Repentinamente, abriu a caixa e muito cuidadosamente retirou do seu interior a saudade.
Sim, a saudade. Queria plantá-la de forma a que não pudesse movimentar-se, ir ter com ela e semear no seu coração tristezas nostálgicas.
Estava decidida de que se ficasse ali plantada, não a cultivaria e assim a saudade acabaria por morrer !