quinta-feira, 20 de agosto de 2009

The Last Dance

- Adorava ser livro agora para poder estar mais tempo debaixo do teu olhar, da tua atenção, nas tuas mãos, do teu colo ... embalaria com a brisa do silêncio até ao lugar do Amor. Só um momento em que te senti fundo dentro de mim, encontrei liberdade e profunda paz - que mais posso desejar ?

- E eu, meu amor, apenas posso desejar ser o marcador do livro da tua vida e poder, para todo o sempre, acariciar as letras do teu corpo e amar as páginas da tua alma.

- Estar. Sentir. Cada momento longe da tua brisa sufoca o meu corpo de saudade, uma dor do amor. Estou, estou, estou. Sinto, sinto, sinto. Cada momento ausente de ti inunda o meu coração profundo de uma hilariante experiência de afectos. O amor impera sobre tudo. Estou, estou, estou. Sinto, sinto, sinto. Que cada momento é vida, é energia geradora do impulso de ti em mim. Quero-te aqui e agora na eternidade do Azul do teu olhar.

- O Azul do meu olhar busca uma tarde eterna de mar, na qual os teus olhos que como barcos ao longe me ofereceste, navegam por entre a pele da minha alma sem rumo.
O Azul do meu olhar velejará pelos mares da ansiedade, escalará as montanhas dos medos e percorrerá os vales das decepções para não deixar o nosso amor morrer.

- E eu farei das montanhas e dos vales o caminho onde a energia do nosso amor se regenará e encontrará a cada dia a inspiração para se expressar e crescer na sua suprema plenitude.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Perfume de Prata

À medida que caminho ao longo do extenso areal, e aproveitando a distracção do minuto que zanga-se com o segundo, o meu olhar deambula pelo azul agreste do mar.
Escolho o local contemplado pelo conforto de ideais e delicio-me com a areia a acariciar suavemente os dedos dos pés.
Timidamente, as convencionais amarras do tecido libertam a minha pele, deixando-a solta de preconceitos e livre para amar e ser amada em total consonância com os seus preceitos.
Naquele instante, em que o tempo pára extasiado perante a reconciliação entre o segundo e o minuto, estendo a toalha e deito-me sobre ela.
Um sentimento avassalador de completa plenitude toma de assalto a minha essência, reconciliando-me com os pilares da grande arquitectura do Universo.
O Sol afaga cada poro do meu ser, que por sua vez, espanta-se com a força de carácter do singelo grão de areia.
Zéfiro, vento do oeste, suave e agradável, ao brincar com as ondas do mar traz consigo a doce brisa marítima que perfuma com beijos de espuma os mais recônditos lugares do meu corpo.
Embalada pelo silêncio da sua ternura sou então conduzida para os braços do amor infinito, intemporal, eterno. Amor que não conhece idade, espaço ou tempo. Amor desafiador dos limites humanos e das convenções sociais.
Qual poetisa da Natureza, sinto-me parte integrante de um mundo único, paradisíaco, irreverente. Bálsamo para a alma inebrio-me com uma cada vez mais infinita capacidade de sonhar. Sonhos de ruptura definitiva com paradigmas. Sonhos de comunhão perfeita entre o ser e o estar, o querer e o poder, o desejar e o ter. Sonhos de quebrar com os grilhões dos meus medos, dúvidas e incertezas. Sonhos de nos sonharmos como um sonho de sonho.