sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Perfume de Prata

À medida que caminho ao longo do extenso areal, e aproveitando a distracção do minuto que zanga-se com o segundo, o meu olhar deambula pelo azul agreste do mar.
Escolho o local contemplado pelo conforto de ideais e delicio-me com a areia a acariciar suavemente os dedos dos pés.
Timidamente, as convencionais amarras do tecido libertam a minha pele, deixando-a solta de preconceitos e livre para amar e ser amada em total consonância com os seus preceitos.
Naquele instante, em que o tempo pára extasiado perante a reconciliação entre o segundo e o minuto, estendo a toalha e deito-me sobre ela.
Um sentimento avassalador de completa plenitude toma de assalto a minha essência, reconciliando-me com os pilares da grande arquitectura do Universo.
O Sol afaga cada poro do meu ser, que por sua vez, espanta-se com a força de carácter do singelo grão de areia.
Zéfiro, vento do oeste, suave e agradável, ao brincar com as ondas do mar traz consigo a doce brisa marítima que perfuma com beijos de espuma os mais recônditos lugares do meu corpo.
Embalada pelo silêncio da sua ternura sou então conduzida para os braços do amor infinito, intemporal, eterno. Amor que não conhece idade, espaço ou tempo. Amor desafiador dos limites humanos e das convenções sociais.
Qual poetisa da Natureza, sinto-me parte integrante de um mundo único, paradisíaco, irreverente. Bálsamo para a alma inebrio-me com uma cada vez mais infinita capacidade de sonhar. Sonhos de ruptura definitiva com paradigmas. Sonhos de comunhão perfeita entre o ser e o estar, o querer e o poder, o desejar e o ter. Sonhos de quebrar com os grilhões dos meus medos, dúvidas e incertezas. Sonhos de nos sonharmos como um sonho de sonho.

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