terça-feira, 23 de março de 2010

Nocturna

Neste momento, a realidade afigura-se-me dolorosa e imperfeita.
Sinto-me como a fase escondida da Lua ... fase de estar sozinha, fase de não me encontrar com ninguém.
Triste por saber que no dia de alguém ser meu não é dia de eu ser sua, e, quando chegar esse dia, o outro desapareceu ...
Bebo a minha própria tristeza e como que me inebrio com ela.
Apetece-me cair com o entardecer. Deixar o corpo desaguar na noite, limpo. Nada de anseios ou duplicidade de pensamentos e sentimentos. Somente silêncio bom à minha espera. Gosto desse silêncio, absoluto, puro. É-me imperioso possuí-lo.
Talvez transformando-me no minuto que acende a noite consiga ver melhor. Será ? Serei então capaz de vislumbrar geograficamente a minha localização sentimental ? Parece-me que estou a vê-la longe, longe, rodeada de montanhas. Montanhas fustigadas pela tempestade e pelo frio que acizentam a minha alma e pelo vento que desorienta os meus passos.
Vento. Vento que sopra só para mim. Vento doce da loucura que me invade lentamente e me deixa à mercê dos seus dedos de nuvem, tão suaves e meigos.

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