domingo, 28 de março de 2010

... que não chegou nunca a morrer ...

"Imagine que Atla não chegou nunca a morrer, apesar de o início o romance começar justamente por narrar a sua morte. Escreva a parte do enredo que daria alegadamente conta da reacção dos personagens ao terem conhecimento de uma tal notícia ( não ultrapassar 20 linhas )."

Foi novamente numa daquelas tardes preguiçosas de Outubro, que o espanto tomou conta do espírito dos homens que bebericavam na taberna diante do porto velho.
Já não mais pensavam na morte da bela Atla, quando Joaquim irrompeu intempestivamente, gritando que tinha acabado de cruzar-se com a defunta. Uma onda de assombro e dúvida passou pelas cabeças dos pescadores, ao mesmo tempo que assaltavam com perguntas e mais perguntas o mestre.
- Era mesmo ela ? Não seria alguém muito parecido ? Como é que tal aconteceu ?
Esclarecidas as questões e confusões e acalmados os ânimos, foi unânime o sentimento de alegria perante a possibilidade de voltarem a contactar com o encanto e expressividade únicos de Atla.
Já o mesmo regozijo não se pode dizer que tenha encontrado abrigo algumas portas adiante da taberna.
Aqui, o espanto inicial cedeu lugar a uma ira incrédula.
Tentando controlar o ódio que sentiam, as mulheres não conseguiam esconder a raiva associada à frustração dos seus intentos !
- Como é possível que ela tenha sobrevivido ? Será que trocaste as doses ?
Eram estas as dúvidas mais ouvidas.
Por entre mútuas acusações crescia o sentimento de animosidade para com Atla, mulher vaidosa e caprichosa e que, segundo as próprias, sorrateiramente intrometia-se nos leitos conjugais, tendo como testemunha o mar a luar-se por sinfonias de prata.

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