domingo, 25 de abril de 2010

... e crítica às minhas imagens !

No seu texto verifica-se que há imagens com autonomia e força própria, isto é: respiram uma voz particular e actuante e, portanto, como escrevia mais acima, acabam por falar por si (por exemplo: “O pêndulo do tempo”).

Por outro lado, a imagem implica e desperta, de modo pertinente, vários mundos. Tal acontece, quer por conotação (novos conteúdos que se atribuem a uma mesma expressão que começámos por denotar), quer por associação lógica (conteúdos que se reúnem aos presentes na figuração por ilação de cariz indutiva, dedutiva, ou abdutiva, i.e., por conjectura), quer ainda por pendor metafórico (espécie de osmose entre semas de sememas diversos). Neste último caso, de modo diferente, imagens como “O calor insinuava-se” e “cor viva das chamas” funcionam muito bem sobretudo por conjectura e conotação.

As imagens são também mecanismos ficcionais – isto é, organismos contadores de histórias.
Nesta medida, pode dizer-se que a ficcionalidade das imagens por si criadas sugere um vasto leque de percursos narrativos. E se esses percursos narrativos não são demasiamente explicitados (e ainda bem!), não deixa de ser verdade que as suas imagens os prefiguram e até cartografam (por exemplo: “paredes frias e desarmónicas” ou “transfigurou-se em horror”).

Daí que o seu texto se constitua como uma interessante peça imagética de oficina para o enredo que se iria escrever.
Um exercício muito completo, portanto.

Desejo-lhe uma óptima semana!Com toda a estima e amizade, Luís Carmelo.

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