domingo, 11 de julho de 2010

Como os bambus

Como os bambus, oscilo no vento dos meus pensamentos e vislumbro devagar a tua dor, o teu medo, que ferem e explodem em mim em ausências e vazios que desertificam a alma.
Hoje depus as ilusões, não quero mais, o cansaço tomou conta de mim !
Por vezes ainda sinto saudades do tempo em que acreditava que irias entrar pela janela, com as mãos cheias de luar para mim. Mas nada mudando, este nosso desencontro embarga uma enorme tristeza: o meu olhar iria anunciar a tua dificuldade em viver de perto o amor; sei que irias chorar para dentro. E eu, a querer bailar contigo, olhos nos olhos, o coração a bater com o teu, iria chorar também e escondida, para não te entristecer ainda mais, com a desilusão que me darias.
A dor que me deixaste é a tua dor. E agora que já a embalei com a inocência do meu amor por ti, no quanto te sonhei e aos teus silêncios, leva-a contigo. Aceita o que ela te fala de ti, não a entornes, ou esvazias-te das cores que te podem preencher de quentura.
Acabou o tempo de guardar a tua dor. Toma-a para ti, talvez agora adormecida vá cedendo lugar àquela luminosidade que te fará feliz se não temeres o arrebatamento da liberdade, o encantamento.
Vou partir. Sei que me escolheste para guardiã do lugar do teu afecto, o teu lugar mais profundo, mas intocado, embora em forma de dor ... fica-me esse sussurro das recordações de ti.
Levo comigo o que sempre te dei e se multiplicou porque o vivi contigo - o amor. Sinto-me apaziguada pela dignidade de te ter oferecido , mesmo em momentos de indizível crueza, a generosidade, o despojamento, a honestidade, a inocência; são as pétalas que vou levar nas mãos, para o caminho.
Dei-te o meu melhor sem me ter empobrecido !
Parto com a brisa quente da serenidade. A raiva foi um vento veloz que se dissipou, porque te guardo no lugar do amor, o meu lugar mais límpido.
Guardarei a ternura do nosso encontro, que sei, foi para sempre. Já não sofro porque te perdi, amanheço, e vou mais plena porque te encontrei, um dia ...