domingo, 27 de fevereiro de 2011

Sra Dª Casca de Cacau Torrado


Inspire-se num sabor qualquer que seja, delicioso ou até mesmo desagradável, e conte-nos o que ele lhe inspirar: um conto, uma memória, um desejo, etc ...
Modalidade: livre
Limite: 350 palavras

Numa típica tarde de Inverno, em que tapada pela nostalgia do frio folheava as flanelas de um livro ao mesmo tempo que tomava uma reconfortante leitura quente, Paula aconchegou-se melhor naquele momento perfeito enquanto bebia a sua infusão. Uma mistura deliciosa de ervas com laranja e chocolate.
Fechou os olhos e deixou-se levar pela imaginação, pelo sabor do chocolate.
Sorriu e instalou-se confortavelmente numa casca de cacau torrado que preparava-se para conduzi-la numa viagem através do tempo. Através do tempo e das lendas !
Passaram pela lua prateada e por ventos gelados, descansaram nos campos luminosos do reino dos filhos do Sol, conheceram reis, nobres e guerreiros, encantaram-se por fadas, gnomos e duendes até que recuando e recuando no tempo chegaram a Maztica, reino da deusa maia Xochiquetzal !
Desde há 1000 anos que gotas de orvalho desciam ininterruptamente pela face, enquanto contava a sua história:
Quetzcoalt, senhor do vento, apaixonado por si e não tendo sido correspondido, decidiu vingar-se e, um belo dia, com um furacão, espalhou os seus cabelos ( belos frutos de cacaueiro ) tendo assim nascido a árvore do cacau.
A casca de cacau torrado recusou-se a acreditar e ao trazer Paula de volta, semeou pelo mundo uma outra versão mais doce e poética:
No meio dos índios maias e astecas,
que foram povos profetas
o fabuloso deus do vento
com todo o sentimento

Para trazer alegria
e muita harmonia
para o homem na Terra
preparou uma surpresa em plena Primavera

Através de uma brisa que inspirou um sorriso
ele trouxe sementes de cacau do paraíso
então estas sementes trouxeram fantasia e alegria
pois com elas o Homem descobriu o chocolate com muita poesia.

E foi assim que nasceu a famosa poetisa Sra Dª Casca de Cacau Torrado !

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Viagens

Quando descem as pálpebras, abre-se o silêncio da plácida contemplação de mim e começo a viajar.
Há viagens que temos que fazer dentro de nós. Nelas encontramos vivências, lugares, afectos desaguados em estranhas penumbras de nada.
Regresso.
E quando regresso retoco de cor alguns buracos de mágoa, enquanto guardo na mão o querer, o querer aceder àquele assustador mas deslumbrante mundo de mim.
Aquele mundo que te evoca no lugar do amor !
E lembro-me sempre da Lua.
Lua que mora no arco do céu. Cigana aninhada num sonho só seu. Recortei a Lua ... seu olhar moreno, seu peito vadio amargo veneno. Pendurei seu seio no canto onde o sonho se casa com o meu.