terça-feira, 10 de maio de 2011

A Viagem da Coruja Branca


Sinto.
Sinto um fluxo de energia que parte do meu umbigo, aquece-me o ventre e sobe por mim acima.
Deixo o meu espírito libertar-se docemente do corpo, como uma borboleta que se liberta do envólucro da larva.
Torno-me um espírito leve, transparente, imaterial.
Agarro-me ao raio de luz e com ele viajo.
Tudo é azul-claro e branco à minha volta.
Ouço uma melodia com um acorde em dó. Os instrumentos são essencialmente instrumentos de vento. Flautas, Trompas, Didgeridoo. Faz-me lembrar Bach.
De tanto subir, já estou muito alta, no céu.
Largo o raio de luz e não caio.
Sim, não caio ! Olho para a esquerda e para a direita por sobre os ombros e vejo coisas longas e leves.
São asas.
Transformei-me no meu nawal e sou agora uma bela coruja branca.
Passo sobre o oceano, lençol escuro, verde e azul-marinho.
Aquilo que a início pareciam ilhas, são afinal baleias. Um grupo de baleias brancas que cantam e brincam, deixando sair vapor e enfiando-se dentro de água.
Prossigo e chego a uma zona de montanhas altas, quentes e fumegantes. Vulcões. Através da sua lava quente e avermelhada apercebo-me do sangue do planeta Terra.
Gaia.
Aproximo-me de um dos vulcões. Enorme, parece uma boca.
A Terra fala comigo. Emite um som grave e contínuo, de tal forma pesado e subtil que apercebo-me bem da minha incapacidade para o agarrar.
Saúdo então o vulcão e continuo o voo.
Chego a um país quente e vejo um deserto de areia.
As dunas praticamente imóveis fazem-me lembrar uma grande toalha branca colocada sobre um oceano petrificado.
Também é belo o deserto.
O vento que aflora.
Rosas de areia.
Dunas douradas.
Despacho-me e decido ir até ao Tibete, o telhado do mundo.
Avisto Lassa, a cidade dos lamas. Ali os monges utilizam enormes trombetas que emitem sons que fazem vibrar tudo ao seu redor. São vibrações graves que recordam-me a voz da Terra.
Um grupo de lamas medita em enormes salas. Nunca tinha visto tanto espírito levantar voo ao mesmo tempo. Parecem um verdadeiro bando de estorninhos transparentes.
Ao longo da minha viagem, a Terra estende-se sob o meu corpo. Tudo é castanho ou ocre, com zonas de prados verde-claros e verde-escuros.
Ouve-se agora uma música em acorde de sol. Os instrumentos são essencialmente percussões e vozes humanas. A sua composição faz pensar em cantos gregorianos ritmados por tan-tans africanos.
Tomo uma decisão importante e vou até minha casa.
Ali, na Azóia ( Cabo da Roca ), reparo bem no terreno, nas árvores, nas rochas. O meu terreno, as minhas árvores, as minhas rochas, as minhas plantas, a minha relva, o meu céu.
É sobre este terreno que vou construir o meu refúgio.
Nele, hei-de ter um jardim com uma armada de duendes completamente devotados à minha protecção. Instalo uma pequena floresta para que os elfos me possam visitar discretamente à noite. As sereias também não ficarão mal na minha pequena piscina, mas penso em arranjar-lhes uma caverna aquática onde elas se possam esconder. Sabem como são as sereias. São tímidas ... ;)
Finalmente, vou descansar um pouco para a praia.
Uma praia de areia fina e cálida nos bordos de um lago. As cores são pastel. A água é turquesa com reflexos malva. A areia é negra com reflexos lilás. Ouço uma música sobre um acorde em lá. É uma melodia essencialmente dominada por instrumentos de corda: harpa, bandolim, violão.
Penso em Vivaldi e adormeço !

1 comentário:

Ruca disse...

Kin 202, Vento Ressonante Branco

Eu canalizo com o fim de comunicar Inspirando o alento Selo a entrada do espírito Com o tom ressonante da harmonização Eu sou guiado pelo poder da intemporalidade

"Dentro do que parece complexo, solto-me, respiro, simplifico e canalizo."