sexta-feira, 11 de maio de 2012

Luz em trânsito


Som de água no qual flutuo sempre que ocorrem desaguares turbulentos. Único na sua forma bela de fazer vir à superfície as tonalidades escuras e sombrias do Mar.
Negro? Contraditório? Talvez para muitos. Certamente não para todos.
Uma lágrima corre. Dor. Maldito sejas tu, Ego, e os teus apegos ao que é efémero e meramente transitório.
Que o sofrimento ceda lugar à tranquilidade quando confrontado com a realidade da transmutação de mais um ser de luz. Que a harmonia o envolva em mais uma viagem. O embale e o guie por entre as estrelas, por entre as dimensões, por entre os trânsitos.
De tão forte a luz com que nos presenteou, sensível a "mensagem" que deixou e profundas as linhas não escritas com que traçou os contornos de tantas almas, não me "chocou" que a sua passagem por este pequeno lugarejo do Universo não precisasse de ter sido longa.
Longa em termos quantitativos, se é que me entendem !!!
Por cá, vê-se, lê-se, ouve-se, sente-se a sua morte como trágica, chocante, prematura ...
Não gosto da palavra morte nem do sentido que enclausura em si mesma. Nem tão pouco concordo com os termos ou conceitos com que a associaram.
Trânsito. Evolução. É assim que sinto a sua partida.
E que serena seja a sua chegada ao outro lado, a um outro plano existencial, um outro mundo. Ainda mais plena de luz sei que será. E nem poderia ser de outra forma.
Um até já, Bernardo Sassetti !