sexta-feira, 11 de maio de 2012

Luz em trânsito


Som de água no qual flutuo sempre que ocorrem desaguares turbulentos. Único na sua forma bela de fazer vir à superfície as tonalidades escuras e sombrias do Mar.
Negro? Contraditório? Talvez para muitos. Certamente não para todos.
Uma lágrima corre. Dor. Maldito sejas tu, Ego, e os teus apegos ao que é efémero e meramente transitório.
Que o sofrimento ceda lugar à tranquilidade quando confrontado com a realidade da transmutação de mais um ser de luz. Que a harmonia o envolva em mais uma viagem. O embale e o guie por entre as estrelas, por entre as dimensões, por entre os trânsitos.
De tão forte a luz com que nos presenteou, sensível a "mensagem" que deixou e profundas as linhas não escritas com que traçou os contornos de tantas almas, não me "chocou" que a sua passagem por este pequeno lugarejo do Universo não precisasse de ter sido longa.
Longa em termos quantitativos, se é que me entendem !!!
Por cá, vê-se, lê-se, ouve-se, sente-se a sua morte como trágica, chocante, prematura ...
Não gosto da palavra morte nem do sentido que enclausura em si mesma. Nem tão pouco concordo com os termos ou conceitos com que a associaram.
Trânsito. Evolução. É assim que sinto a sua partida.
E que serena seja a sua chegada ao outro lado, a um outro plano existencial, um outro mundo. Ainda mais plena de luz sei que será. E nem poderia ser de outra forma.
Um até já, Bernardo Sassetti !

1 comentário:

António Brandão disse...

Ontem quando ouvi a notícia da sua partida, apanhei um choque. E mesmo sem saber o que havia acontecido, o meu primeiro sentimento foi de pesar por se tratar de alguém ainda tão jovem, com tanto para nos dar. E não pude deixar de pensar tratar-se de alguém com a minha idade, e ver, assim, imergir em mim um outro sentimento: o de injustiça; o de que não faz qualquer sentido.

O que escreves é muito bonito, Paula. O Bernardo Sassetti certamente cumpriu a sua missão neste "pequeno lugarejo", tal foi a "intensidade" com que viveu e fez viver. A tantos.

Não é que não me reveja no que escreves, mas às vezes é necessário fazer uma pausa para reflexão e (re)ajustamento da nossa forma de estar neste vida, neste processo. E quando acabei de ler as tuas palavras, senti um certo alivio: não faz sentido sentir que não tem qualquer sentido.

Obrigado.

Um beijinho.